“Umbrella” com Britney? 12 hits que quase foram de outros artistas
- Cauã Rodrigues

- há 2 dias
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Rihanna cantando “Shape of You”, Britney Spears lançando “Telephone” e Demi Lovato na trilha de “Cinquenta Tons de Cinza”: bem-vindo ao multiverso do pop.
Imagine ligar a televisão em 2007 e assistir Britney Spears cantando “Umbrella”. Ou entrar em uma festa em 2011 e ouvir Nicole Scherzinger nos vocais de “We Found Love”. Talvez “Telephone” nunca tivesse ganhado Beyoncé. Talvez a era Bangerz, de Miley Cyrus, começasse com outra música.
Parece fanfic criada durante uma madrugada no Twitter, mas boa parte dessas possibilidades realmente existiu nos bastidores da indústria musical.
Antes de chegarem às nossas playlists, grandes músicas passam por compositores, produtores, empresários, gravadoras e dezenas de artistas.
Algumas são recusadas. Outras chegam a ganhar demos completas, mas acabam fora dos álbuns. Existem ainda aquelas que apenas foram imaginadas para uma cantora antes de encontrarem sua intérprete definitiva.
E há uma diferença importante: quando dizemos que uma artista “rejeitou” uma música, nem sempre significa que ela ouviu a faixa e decidiu pessoalmente que não gostava. Muitas vezes, a decisão veio da gravadora, da equipe ou de uma simples mudança de direção artística.
Prepare-se para conhecer alguns dos maiores “e se?” da cultura pop.
1. “Umbrella” poderia ter sido de Britney Spears
Hoje, separar “Umbrella” de Rihanna parece praticamente impossível. A música, o corte de cabelo, o guarda-chuva no videoclipe e o refrão repetido por uma geração inteira ajudaram a transformar a cantora em uma estrela ainda maior.
Mas a canção foi criada por The-Dream, Tricky Stewart e Kuk Harrell pensando inicialmente em Britney Spears.
A equipe de Britney recebeu a composição durante a preparação do álbum Blackout, mas informou que o repertório do projeto já estava completo. Não está claro se a própria cantora chegou a ouvir a música antes da recusa. Depois disso, “Umbrella” ainda passou pelo radar de Mary J. Blige antes de finalmente chegar a Rihanna.
O mais curioso é imaginar o efeito dominó: sem “Umbrella”, Rihanna teria vivido a mesma transformação visual e artística da era Good Girl Gone Bad?
Provavelmente nunca saberemos. Mas uma coisa é certa: o “ella, ella, eh, eh, eh” encontrou a pessoa certa.
2. Britney Spears chegou a gravar uma demo de “Telephone”
“Telephone” possui tudo o que esperamos de um clássico da cultura pop: Lady Gaga, Beyoncé, figurinos exagerados, coreografia, veneno, prisão, crime e um videoclipe que parecia mais um evento cinematográfico.
Só que a música nasceu para outra estrela.
Lady Gaga escreveu “Telephone” pensando no álbum Circus, de Britney Spears. Britney chegou a gravar uma demo da faixa, mas a música não entrou no projeto. Anos depois, o produtor Rodney “Darkchild” Jerkins confirmou que o áudio vazado na internet realmente trazia os vocais da cantora.
Gaga recuperou a composição, acrescentou Beyoncé e lançou a versão que conhecemos.
O descarte acabou criando um dos encontros mais importantes do pop moderno. Ainda assim, imaginar Britney atendendo aquele telefone continua sendo um dos maiores exercícios de realidade alternativa para qualquer fã de música.
3. Nicole Scherzinger recusou “We Found Love”
Poucas músicas representam tanto o início dos anos 2010 quanto “We Found Love”. A produção explosiva de Calvin Harris e os vocais de Rihanna capturaram perfeitamente aquela mistura de euforia, romance e caos que dominava as pistas de dança. Mas antes de Rihanna, a música foi oferecida a Nicole Scherzinger.
A ex-vocalista do Pussycat Dolls contou que estava muito ocupada na época e cansada de receber tantas músicas eletrônicas. Por isso, não percebeu imediatamente o potencial da faixa. Ela mesma reconheceu posteriormente o tamanho da oportunidade que deixou passar.
É o tipo de decisão que parece absurda depois que conhecemos o resultado. No momento em que ela precisou escolher, porém, “We Found Love” era apenas mais uma demo entre várias.
No pop, o maior hit da sua carreira pode chegar disfarçado de “mais uma música dance”.
4. Rihanna recusou “Cheap Thrills”, e Sia decidiu gravá-la
Sia construiu parte de sua carreira escrevendo músicas para outras estrelas. Algumas foram aceitas. Outras retornaram para ela e ajudaram a transformá-la em uma das vozes mais reconhecíveis da década.
“Cheap Thrills” foi criada pensando em Rihanna. A composição chegou a ser enviada para a equipe da cantora, mas foi recusada por não combinar com o direcionamento que ela buscava naquele momento.
Sia percebeu que a música tinha uma sonoridade mais leve e pop do que o repertório desejado por Rihanna. Em vez de abandonar a faixa, resolveu lançá-la em seu próprio álbum.
O resultado foi um dos maiores sucessos da carreira de Sia.
Talvez esse seja o verdadeiro significado de transformar rejeição em oportunidade.
5. “Pretty Hurts” passou por Katy Perry e Rihanna antes de Beyoncé
A trajetória de “Pretty Hurts” parece uma mistura de drama corporativo com comédia de erros.
Sia escreveu a música pensando em Katy Perry e enviou a composição por e-mail. Katy não viu a mensagem. A faixa também foi encaminhada para a equipe de Rihanna, que a manteve reservada durante meses, mas não concluiu a negociação.
Beyoncé ouviu a música, identificou-se imediatamente com a mensagem sobre padrões de beleza e garantiu os direitos para gravá-la.
Depois, Katy Perry teria questionado Sia sobre nunca ter recebido a composição. A resposta foi simples: ela deveria conferir seus e-mails.
Moral da história: confira sua caixa de entrada. Você pode estar ignorando a futura faixa de abertura de um dos álbuns visuais mais importantes do pop.
6. “We Can’t Stop” foi criada para Rihanna
“We Can’t Stop” não foi apenas o primeiro single da era Bangerz. A música marcou o momento em que Miley Cyrus rompeu definitivamente com a imagem construída durante os anos de Disney Channel.
Mas a faixa havia sido criada inicialmente com Rihanna em mente.
O produtor Mike WiLL Made-It trabalhava em diferentes músicas para a cantora. Rihanna acabou escolhendo “Pour It Up”, enquanto “We Can’t Stop” seguiu outro caminho e chegou até Miley.
Na voz de Miley, a composição se transformou em uma declaração de independência e em uma das músicas mais importantes de sua transição artística.
Talvez Rihanna tivesse entregado um ótimo hit. Mas dificilmente a faixa teria carregado o mesmo significado cultural.
7. Rihanna gravou “Same Old Love” antes de Selena Gomez
O refrão de “Same Old Love” parece ter sido construído especialmente para a voz contida e melancólica de Selena Gomez. No entanto, Rihanna chegou a gravar uma versão da música durante as primeiras sessões do álbum Anti.
Charli XCX, uma das compositoras, explicou que a direção do projeto de Rihanna mudou e que a faixa deixou de combinar com o disco. Partes da demo com os vocais de Rihanna apareceram posteriormente na internet.
A música encontrou Selena e se tornou um dos grandes momentos da era Revival.
É um exemplo perfeito de como uma mesma composição pode ganhar identidades completamente diferentes dependendo da intérprete. Rihanna soaria mais intensa. Selena transformou a música em um cansaço emocional quase silencioso.
8. “Come & Get It” também nasceu para Rihanna
Selena recebeu de Rihanna não apenas “Same Old Love”, mas outra música fundamental para sua carreira.
“Come & Get It” foi criada por Ester Dean e pela dupla Stargate para integrar o repertório de Rihanna. A faixa acabou não sendo gravada por ela e chegou até Selena durante a preparação de Stars Dance.
A música marcou a consolidação de Selena como artista solo e apresentou uma imagem mais adulta depois dos anos à frente da banda The Scene.
Em outras palavras: duas decisões tomadas durante a construção dos álbuns de Rihanna ajudaram a definir duas fases diferentes da carreira de Selena Gomez.
9. “Shape of You” quase foi entregue para Rihanna
Neste caso, Rihanna não chegou exatamente a recusar a música.
Ed Sheeran entrou no estúdio com Steve Mac e Johnny McDaid para escrever composições destinadas a outros artistas. Durante o processo, percebeu que “Shape of You” poderia funcionar na voz de Rihanna.
A ideia mudou quando Ed começou a escrever referências que considerou específicas demais para seu próprio universo. Ele decidiu adaptar e guardar a faixa para si.
“Shape of You” se transformou em um dos maiores sucessos de sua carreira.
Talvez o maior plot twist seja perceber que Rihanna nem precisava gravar as músicas. Por alguns anos, simplesmente pensar nela já parecia fazer os compositores criarem hits.
10. “Love Me Like You Do” foi considerada para Demi Lovato
Antes de entrar para a trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza, “Love Me Like You Do” já estava sendo desenvolvida pelos compositores Savan Kotecha e Max Martin.
Kotecha chegou a considerar entregar a música para Demi Lovato. Quando a equipe do filme procurou Max Martin em busca de uma faixa para a trilha, a composição foi retrabalhada e Ellie Goulding acabou escolhida para gravá-la.
Portanto, não se trata exatamente de uma música que Demi ouviu e rejeitou. Ela foi uma possibilidade durante o processo criativo.
Ainda assim, imaginar o refrão interpretado com os vocais potentes de Demi é suficiente para iniciar uma discussão interminável entre fãs.
11. Demi, Camila Cabello e várias outras cantoras gravaram “The Middle”
Poucas músicas enfrentaram uma seleção de elenco tão concorrida quanto “The Middle”, de Zedd, Grey e Maren Morris.
Antes da versão definitiva, artistas como Demi Lovato, Camila Cabello, Carly Rae Jepsen, Tove Lo, Bebe Rexha, Charli XCX e outras cantoras teriam experimentado a composição ou gravado demos.
Charli XCX chegou a comentar publicamente que a tonalidade era alta demais para sua voz e que sua interpretação não funcionou como o esperado.
A equipe continuou procurando até encontrar Maren Morris.
A história mostra que uma música não precisa apenas de uma grande cantora. Ela precisa da cantora certa, no momento certo, com a interpretação certa.
12. “Issues” não foi exatamente rejeitada por Selena Gomez
Uma das histórias mais repetidas nas redes sociais afirma que Julia Michaels escreveu “Issues” para Selena Gomez e decidiu ficar com a faixa.
A realidade é um pouco diferente, e talvez ainda mais interessante.
Julia já havia escrito diversas músicas para Selena e outros artistas, mas “Issues” nasceu depois de uma discussão em seu próprio relacionamento. A composição era tão pessoal que ela não conseguia imaginar outra pessoa interpretando aquelas palavras.
Grandes artistas demonstraram interesse pela faixa, mas Julia resolveu guardá-la e usá-la como seu primeiro single solo.
A música não foi apenas um sucesso: ela apresentou Julia Michaels ao público como artista, depois de anos trabalhando nos bastidores.
Às vezes, o hit que você entregaria para outra pessoa é justamente aquele que deveria apresentar sua própria voz ao mundo.
No final, quem realmente é “dono” de um hit?
Essas histórias revelam uma verdade pouco glamourosa sobre a indústria: grandes músicas nem sempre chegam prontas até seus intérpretes.
Elas circulam. Mudam de tonalidade, produção, letra e intenção. São colocadas em espera por empresários, retiradas de álbuns, esquecidas em caixas de e-mail ou descartadas porque não combinam com determinada era.
Mas também existe algo quase mágico nesse processo.
“Umbrella” precisava da transformação de Rihanna. “We Can’t Stop” precisava representar o rompimento de Miley. “Issues” precisava continuar com Julia Michaels. “Telephone” precisava do excesso visual de Gaga e Beyoncé.
Talvez essas músicas pudessem ter sido grandes com outras vozes.
Mas dificilmente seriam os mesmos clássicos.
Agora queremos saber: qual dessas versões alternativas você mais gostaria de ouvir completa?




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