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Luísa Sonza relembra caso de racismo, fala sobre responsabilidade e admite: “É impossível ser perfeita”

  • Foto do escritor: Cauã Rodrigues
    Cauã Rodrigues
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Cantora comentou de forma rara o episódio ocorrido em 2018, destacou aprendizados ao longo dos anos e defendeu que atitudes são mais importantes do que justificativas públicas


Luísa Sonza voltou a falar sobre o processo por danos morais relacionado a um episódio de racismo ocorrido em 2018. Durante participação no programa “Desculpa Alguma Coisa”, exibido no YouTube nesta quarta-feira (1º), a cantora refletiu sobre os aprendizados que teve desde então, o papel das pessoas brancas na luta antirracista e as ações que passou a adotar fora dos holofotes.


Ao longo da conversa, a artista afirmou que prefere demonstrar sua evolução por meio de atitudes, em vez de tentar responder publicamente a cada crítica.

Segundo ela, compreender o próprio lugar de privilégio como mulher branca foi fundamental para mudar sua postura diante de questões sociais.


“Se colocar e se entender como mulher branca é muito importante. Com o tempo, a gente vai conseguindo entender mais”, afirmou.


Luísa também revelou que apoia há cerca de sete anos o projeto Todas Podem Mixar, iniciativa voltada à formação de mulheres na música, principalmente mulheres negras. De acordo com a cantora, ela conheceu o projeto por indicação da dupla Tasha & Tracie e decidiu manter o apoio como parte de seu compromisso com mudanças concretas.


Foto: Instagram
Foto: Instagram

“Não é sobre mim, é sobre como o outro se sente”

Ao relembrar o episódio que resultou no processo, Luísa explicou que, durante muito tempo, tentou entender a situação apenas a partir de sua própria intenção. Com o amadurecimento, percebeu que o impacto de uma atitude não depende somente do que a pessoa pretendia fazer, mas também da forma como o outro foi atingido.


“Quando você vê, toma um susto e pensa: ‘Meu Deus, eu sou a vilã’. Mas, ao mesmo tempo, não sente que é, porque não foi algo que eu tive a intenção de fazer. Eu tinha 18 anos. Depois, você entende que não é sobre você, é sobre o outro e sobre como o outro se sente”, declarou.


A cantora ressaltou que sua posição como figura pública exige uma atenção ainda maior, já que suas atitudes alcançam milhões de pessoas e podem contribuir para manter ou combater estruturas sociais racistas, elitistas e machistas.


Para Luísa, esse processo também envolveu aprender a reconhecer erros sem transformar a mudança em uma estratégia de defesa de imagem. Ela afirmou que passou anos tentando atingir um padrão impossível de perfeição e que hoje consegue olhar para versões mais jovens de si mesma com mais compreensão, sem deixar de assumir a responsabilidade pelo que aconteceu.


“Eu sempre tentei ser perfeita, mas é impossível ser. Hoje, eu também perdoo a ignorância da Luísa de dez anos atrás e entendo como devo me portar em relação a essas questões”, disse.


A artista defendeu ainda que a luta contra o racismo não deve ser encarada como uma responsabilidade exclusiva da população negra. Para ela, pessoas brancas precisam reconhecer sua participação dentro dessa estrutura e assumir um compromisso ativo com a mudança.


“A luta contra o racismo e o problema do racismo são nossos, não das pessoas pretas. A gente tem esse dever”, reforçou.


Segundo Luísa, o aprendizado mais difícil foi perceber que, mesmo quando acreditava estar agindo corretamente, ainda precisava ouvir outras experiências e ampliar sua visão. Ela afirmou que nem todas as ações adotadas ao longo dos anos foram divulgadas e que prefere permitir que esse trabalho se revele com o tempo.


“A melhor justificativa ou a melhor desculpa são as atitudes. É isso que eu busquei fazer”, declarou.


Entenda o caso envolvendo Luísa Sonza

O episódio aconteceu durante um festival em Fernando de Noronha, em 2018. A advogada Isabel Macedo de Jesus afirmou que Luísa Sonza a confundiu com uma funcionária do local e pediu que ela levasse um copo de água. Isabel alegou que a suposição aconteceu por causa da cor de sua pele e, posteriormente, entrou com uma ação por danos morais.


O caso se tornou público em 2020. Naquele momento, Luísa negou as acusações nas redes sociais. Dois anos depois, enquanto o processo ainda tramitava em segredo de Justiça, a cantora reconheceu publicamente o erro, pediu desculpas e afirmou que estava disposta a assumir sua responsabilidade e buscar formas de reparação.


O processo foi encerrado em 2023 após um acordo judicial entre as partes.
Foto: Instagram

Em agosto de 2023, o processo foi encerrado por meio de um acordo judicial, que incluiu o pagamento de uma indenização por parte da artista. Desde então, Luísa vinha evitando entrar em detalhes sobre o assunto, tornando a entrevista uma de suas declarações mais extensas sobre o episódio nos últimos anos.


Ao retomar o caso, a cantora procurou destacar menos a própria imagem e mais o processo de aprendizado que enfrentou. Para ela, amadurecer também significa aceitar que boas intenções não anulam impactos negativos e que a transformação precisa ser demonstrada por escolhas contínuas.


“Você precisa ser melhor do que você já é”, concluiu.

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