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Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado eterno na dramaturgia brasileira

  • Foto do escritor: Cauã Rodrigues
    Cauã Rodrigues
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Laura Cardoso, uma das maiores atrizes da história da televisão, do teatro, do rádio e do cinema brasileiro, morreu aos 98 anos na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, em São Paulo. A atriz, nascida em 13 de setembro de 1927, completaria 99 anos em menos de um mês. A morte foi comunicada pela família, e o velório aconteceu nesta terça-feira, 18 de agosto, em cerimônia reservada a familiares e amigos na região central de São Paulo.


Foto/Reprodução
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A despedida encerra uma trajetória monumental de mais de oito décadas dedicadas à arte. Laura atravessou gerações, linguagens e formatos: começou no rádio, fez televisão ao vivo, consolidou-se no teatro, marcou o cinema e se tornou um rosto familiar para o público brasileiro por meio de novelas inesquecíveis. Mais do que uma atriz popular, ela era reconhecida pelos colegas como uma mestra do ofício, alguém que tratava cada papel com rigor, entrega e absoluta seriedade.


Uma atriz que nunca quis se aposentar

Laura Cardoso costumava dizer que aposentadoria era algo que só chegava quando a vida terminasse. A frase resume bem sua relação com o trabalho.


Mesmo em idade avançada, ela continuou ligada à atuação e à memória da dramaturgia brasileira. Seu último papel em novelas foi Matilde, em “A Dona do Pedaço”, de 2019, mas ela seguiu presente em homenagens, registros especiais e projetos audiovisuais nos anos seguintes.


Foto/Reprodução
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Para Laura, atuar nunca foi apenas decorar falas. Em entrevistas, ela descrevia o processo de criação de uma personagem como algo trabalhoso, físico e até doloroso. Dizia que precisava ler, pensar, pesquisar e encontrar aos poucos o corpo, a alma e o rosto de cada papel. Essa disciplina ajudou a formar uma atriz que não se apoiava apenas no talento, mas em um método intenso de preparação.


Do rádio à televisão ao vivo

Filha de imigrantes portugueses, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni nasceu em São Paulo e começou a carreira ainda adolescente, no radioteatro. Aos 15 anos, passou pela Rádio Cosmos, onde deu os primeiros passos profissionais em radionovelas. Foi ali que desenvolveu uma das marcas de sua atuação: o domínio da voz, da respiração e do ritmo, fundamentais em uma época em que tudo era feito ao vivo e sem margem para erro.


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Em 1952, Laura chegou à TV Tupi, uma das emissoras pioneiras da televisão brasileira. Naquele período, a TV ainda funcionava quase como uma extensão do rádio e do teatro, com transmissões ao vivo e muita pressão sobre os atores.


Antes do videotape, errar em cena era algo muito mais grave, e essa formação ajudou a moldar o rigor profissional que a acompanharia por toda a vida.


Papéis que atravessaram gerações

Ao longo da carreira, Laura Cardoso acumulou personagens marcantes em novelas como “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Chocolate com Pimenta”, “Caminho das Índias”, “Gabriela”, “O Outro Lado do Paraíso”, “Sol Nascente” e “A Dona do Pedaço”. Sua presença em cena carregava uma força rara: ela podia ser doce, dura, misteriosa, popular, trágica ou cômica, sempre com verdade.


Foto/Reprodução
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Parte desse impacto vinha da forma como Laura entendia a profissão. Ela não tratava personagens secundários como menores. Para ela, cada papel exigia construção, estudo e respeito. Esse compromisso fez com que suas personagens se tornassem parte da memória afetiva do público, mesmo quando não ocupavam o centro da trama.


Últimos momentos foram tranquilos, segundo a família

Durante o velório, familiares relataram que Laura estava lúcida e cercada por pessoas queridas nos últimos momentos. Sua neta, Adriana Balleroni, destacou que a atriz manteve a personalidade até o fim, enquanto o bisneto Fernando Faria afirmou que Laura partiu de forma tranquila, como havia desejado. O velório reuniu familiares, amigos e artistas, e foi encerrado sob aplausos na tarde desta terça-feira.


Foto/Reprodução
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A comoção não veio apenas pela morte de uma atriz querida, mas pela despedida de uma figura que ajudou a construir a própria história da dramaturgia nacional. Laura era vista por muitos colegas como uma referência de trabalho, ética e permanência. Uma artista que passou por transformações profundas no rádio, na TV, no teatro e no cinema, sem abandonar a essência do ofício.


Globo presta homenagem à atriz

A TV Globo alterou sua programação nesta terça-feira para exibir um especial em homenagem a Laura Cardoso. O tributo recupera momentos importantes de sua trajetória, incluindo sua origem no rádio, sua chegada à televisão e papéis marcantes que consolidaram seu nome como uma das grandes intérpretes do país.


Foto/Reprodução
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A homenagem reforça o tamanho de sua importância. Laura não foi apenas uma atriz longeva. Ela foi uma ponte entre fases da cultura brasileira: do rádio ao streaming, da televisão ao vivo às grandes novelas gravadas, dos palcos tradicionais aos registros documentais. Poucos artistas atravessaram tantas mudanças mantendo o mesmo respeito do público e da classe artística.


Laura Cardoso é eterna

Laura Cardoso deixa filhas, netas, bisneto e uma obra que seguirá viva na memória brasileira. Sua morte marca o fim de uma vida dedicada à arte, mas seu legado permanece em cada atriz e ator que aprendeu com sua disciplina, em cada novela reprisada, em cada personagem lembrada pelo público e em cada cena em que sua presença transformava o texto em verdade.


No fim, talvez a melhor forma de definir Laura Cardoso seja lembrar que ela nunca tratou a atuação como vaidade. Para ela, representar era trabalho, estudo, entrega e missão. Uma artista que não queria parar porque, enquanto houvesse vida, havia cena. E enquanto houver memória, Laura Cardoso continuará em cena.

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