Laufey chega ao Brasil e fãs explicam como ela virou porta de entrada para o jazz e a bossa nova
- Cauã Rodrigues

- há 2 dias
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Laufey está prestes a viver um dos momentos mais simbólicos de sua relação com o público brasileiro. A cantora, compositora e multi-instrumentista islandesa-chinesa chega ao país em setembro para se apresentar no Rock in Rio 2026 e também em show solo em São Paulo, levando ao palco uma mistura rara de jazz, música clássica, bossa nova e pop que conquistou principalmente uma geração que, até pouco tempo atrás, talvez nem se imaginasse ouvindo esse tipo de sonoridade.
A artista sobe ao Palco Sunset do Rock in Rio no dia 7 de setembro, às 21h55, e se apresenta no Espaço Unimed, em São Paulo, no dia 9 de setembro.

Para Ana Luisa, conhecida como Nalu e ligada ao perfil @laufey.br, a força de Laufey está justamente no fato de ela ter crescido sem abrir mão de suas referências. Antes de ser um nome global, a artista era uma estudante da Berklee College of Music que começou a publicar covers e músicas autorais no TikTok, aproximando o público jovem de um universo musical que parecia distante do consumo pop tradicional.
Essa combinação entre formação musical sofisticada e presença natural nas redes se tornou uma das chaves do fenômeno.
Do TikTok ao palco global
A trajetória de Laufey começou cedo. Ainda adolescente, ela participou de competições musicais na Islândia, foi finalista do “Iceland’s Got Talent” em 2014 e semifinalista do “The Voice Iceland” em 2015. Depois, estudou na Berklee College of Music, em Boston, onde aprofundou sua relação com jazz, música clássica, composição e performance.

Mas foi no TikTok que essa formação encontrou um caminho direto até a geração Z. Nalu destaca que Laufey começou a postar quando ainda não era uma artista conhecida mundialmente. Ela aparecia cantando covers, mostrando composições próprias e criando uma ponte entre o repertório clássico, o jazz e uma linguagem de internet muito próxima dos fãs.
Não era só uma cantora tentando viralizar; era uma artista com identidade musical muito clara usando uma plataforma jovem para apresentar um som que parecia antigo e novo ao mesmo tempo.
Jazz, bossa nova e pop sem virar bagunça
Parte do encanto de Laufey vem da maneira como ela mistura referências sem parecer que está apenas colando estilos diferentes. Sua música conversa com jazz, bossa nova, música clássica e pop, mas tudo aparece costurado por uma estética muito própria: voz grave, arranjos elegantes, letras românticas e uma melancolia que soa íntima, quase cinematográfica.
Para Nalu, o diferencial está no fato de Laufey conseguir sustentar essa mistura com naturalidade.

É justamente aí que a artista alcança públicos diferentes. Quem já gosta de jazz, bossa nova e música clássica encontra nela uma artista jovem que respeita esses gêneros. Quem nunca teve contato com esse universo encontra uma porta de entrada acessível, pop e emocional. Laufey não exige que o ouvinte chegue sabendo tudo sobre música. Ela convida pela emoção, pela melodia e pela identificação.
Uma artista que apresenta referências aos próprios fãs
Outro ponto destacado por Nalu é que Laufey não esconde suas inspirações. Pelo contrário: ela costuma falar dos artistas, discos e músicas que influenciam seu trabalho, criando playlists e compartilhando referências com o público.
Para muitos fãs, isso virou um caminho de descoberta. Depois de entrar no universo de Laufey, Nalu conta que passou a ouvir mais jazz, discos que antes não conhecia e até artistas brasileiros ligados à bossa nova.

Esse movimento é importante porque transforma o fandom em escuta ativa. Laufey não apenas lança músicas; ela educa o ouvido de uma geração. Uma pessoa chega por “From the Start”, se apaixona pela estética, depois procura as referências brasileiras, descobre bossa nova, entra em playlists de jazz e percebe que existe um mundo inteiro por trás daquele som delicado. É pop, mas também é curadoria.
“From the Start”, “Falling Behind” e “Promise” como portas de entrada
Para quem nunca ouviu Laufey, Nalu aponta três músicas como possíveis portas de entrada: “From the Start”, “Falling Behind” e “Promise”. As duas primeiras carregam uma relação mais evidente com a bossa nova, enquanto “Promise” mostra um lado mais emocional, romântico e vulnerável da artista.
São faixas que ajudam a entender por que Laufey se tornou tão querida entre fãs que gostam de músicas calmas, letras tristes e amores narrados com delicadeza.

“From the Start”, em especial, se tornou uma das músicas mais reconhecidas da artista e ajudou a ampliar sua presença nas redes. Com leveza, humor romântico e arranjo inspirado por sonoridades clássicas e brasileiras, a faixa virou uma espécie de cartão de visitas para quem está chegando agora ao universo da cantora. É a música que mostra, em poucos minutos, como Laufey consegue ser sofisticada sem ser inacessível.
Autenticidade como conexão
A fala de Nalu também toca em um ponto central da carreira de Laufey: autenticidade. Em um mercado em que muitos artistas parecem correr atrás da tendência do momento, Laufey cresceu apostando justamente no contrário. Ela não tentou abandonar o jazz para parecer mais pop, nem usou a bossa nova apenas como detalhe estético.
A artista construiu sua identidade a partir dessas referências e fez disso sua marca.

Essa autenticidade cria conexão porque o público percebe quando existe verdade na proposta. Laufey fala de amor, solidão, insegurança e desejo com uma linguagem que parece ao mesmo tempo antiga e muito atual. Suas letras têm storytelling, suas melodias carregam memória e seus arranjos mostram domínio musical. Para Nalu, é essa combinação entre composição, instrumento, voz e identidade que faz a artista chamar atenção em várias camadas.
Uma nova geração inspirada por Laufey
O impacto de Laufey já começa a aparecer também em artistas mais jovens. Nalu cita nomes como Natalie Jane e Lauren Rose como exemplos de cantoras que admiram a artista e mostram como sua influência pode se espalhar por novas gerações. Mesmo ainda jovem, Laufey já constrói um legado: ela prova que é possível crescer fazendo música fora do óbvio, sem abandonar instrumentos, arranjos sofisticados e referências consideradas “antigas” pelo mercado pop.

Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes do fenômeno. Laufey não popularizou o jazz entre jovens fazendo uma versão simplificada e vazia do gênero. Ela fez isso criando um universo próprio, com humor, romantismo, técnica e proximidade.
O resultado é uma artista que conversa tanto com o público mais “nerd musical” quanto com quem só quer uma música bonita para sofrer por amor.
Expectativa para o Brasil
A chegada de Laufey ao Brasil tem um peso especial porque o país é uma das referências afetivas e musicais da artista. Em entrevista ao gshow antes do Rock in Rio, ela falou sobre a expectativa de se apresentar no berço da bossa nova e comentou a ansiedade de tocar para um público que talvez ainda esteja descobrindo seu trabalho.
Para os fãs brasileiros, a expectativa é justamente ver como ela vai adaptar seu repertório para esse contexto. Nalu acredita que o show no Rio pode trazer detalhes especiais, arranjos diferentes e talvez até momentos em português.
A ansiedade também passa pelo show solo em São Paulo, já que o formato permite uma experiência mais próxima da turnê completa, com possibilidade de músicas surpresa e interações mais íntimas com o público.
O encontro perfeito entre Laufey e o Brasil
No fim, a vinda de Laufey ao Brasil parece menos uma passagem comum de turnê e mais um encontro simbólico. Uma artista que ajudou jovens do mundo inteiro a redescobrirem a bossa nova agora canta justamente no país onde esse gênero nasceu. Para muitos fãs, será a chance de ver ao vivo a música que mudou suas playlists, abriu portas para novos artistas e transformou referências antigas em descoberta contemporânea.
Laufey conseguiu algo raro: fazer uma geração ouvir jazz, bossa nova e música clássica sem sentir que estava entrando em um museu. Ela trouxe esses sons para perto, colocou afeto, humor, internet e coração partido no meio, e transformou tudo em uma linguagem própria.
Talvez seja por isso que sua conexão com o público seja tão forte. Laufey não parece uma artista tentando reviver o passado. Ela parece alguém mostrando que o passado ainda pode dançar, sofrer, viralizar e emocionar no presente.




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