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Kesha revela que baixo desempenho de “Gag Order” ajudou em sua liberdade artística

  • Foto do escritor: Cauã Rodrigues
    Cauã Rodrigues
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura

Kesha está olhando para um dos momentos mais delicados de sua carreira com outra perspectiva. Em entrevista recente, a cantora afirmou que o desempenho comercial abaixo do esperado de “Gag Order”, seu quinto álbum de estúdio, acabou contribuindo para sua saída da gravadora e se transformou em um caminho inesperado para a liberdade artística.


O disco, lançado em 2023, marcou o último projeto de Kesha em seu antigo contrato com Kemosabe e RCA, encerrando uma fase longa e turbulenta de sua trajetória profissional.


Foto/Divulgação
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Na época, Kesha enxergou o resultado como uma frustração. Depois de ter lançado álbuns que chegaram ao Top 10 nos Estados Unidos, a cantora se surpreendeu com a diferença de recepção de “Gag Order”.


Hoje, no entanto, ela entende aquele momento de outra forma. Segundo a artista, o disco teve um desempenho tão baixo nas paradas que acabou abrindo espaço para que ela fosse liberada de antigas amarras contratuais.


“Aquele fracasso acabou me levando à minha liberdade”, resumiu a cantora, ao refletir sobre como nem sempre um tropeço significa o fim de uma história.


Um álbum difícil, íntimo e longe do pop óbvio

“Gag Order” nunca foi pensado como um álbum fácil. Produzido com Rick Rubin, o projeto apresentou uma Kesha mais experimental, introspectiva e emocionalmente exposta, distante da imagem festiva que marcou o início de sua carreira com hits como “TiK ToK”.


O disco mergulha em temas como vulnerabilidade, cura, trauma, espiritualidade e reconstrução pessoal, funcionando quase como um retrato cru de uma artista tentando recuperar a própria voz depois de anos de disputas públicas e jurídicas.


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Esse peso emocional ajuda a explicar por que o álbum teve uma recepção comercial diferente dos trabalhos anteriores. Em vez de buscar refrões imediatos ou músicas prontas para dominar playlists pop, Kesha escolheu um caminho mais sombrio, minimalista e confessional. Para parte do público, “Gag Order” pode ter parecido estranho ou pesado demais.


Para a própria cantora, porém, o processo de criação foi valioso justamente por permitir que ela colocasse para fora sentimentos que não cabiam em uma estética mais comercial. Mesmo sem repetir seus maiores números, Kesha continua tratando o álbum como uma de suas obras favoritas.


Da frustração ao símbolo de libertação

O significado de “Gag Order” mudou ainda mais em 2025, quando o álbum passou a aparecer em plataformas digitais com o título “Eat the Acid”, nome de uma das faixas do projeto e, segundo a própria Kesha, uma ideia mais alinhada ao coração emocional do disco.


A mudança veio acompanhada de uma nova leitura pública da cantora sobre o álbum: aquilo que parecia um fracasso comercial, na verdade, teria sido uma peça essencial para que ela encerrasse um ciclo e recuperasse controle sobre sua carreira.


Foto/Divulgação
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A fala de Kesha também conversa com um tema recorrente em sua trajetória: a dificuldade de conciliar dor pessoal, indústria musical e expectativa pública. A cantora passou anos envolvida em uma batalha legal com o produtor Dr. Luke, a quem acusou de abusos; ele sempre negou as acusações, e as partes chegaram a um acordo em 2023.


Nesse contexto, “Gag Order” se tornou mais do que um álbum com baixa performance nas paradas. Ele virou o registro de uma transição, de uma artista que ainda estava presa a um capítulo difícil, mas já caminhava para uma nova fase.


Kesha transforma “fracasso” em narrativa de renascimento

A forma como Kesha fala sobre “Gag Order” mostra uma mudança importante de mentalidade. Em vez de esconder o desempenho comercial do álbum ou tratá-lo como um erro, ela usa o episódio como exemplo de que nem todo resultado negativo deve ser interpretado de imediato como derrota. Para a cantora, foi apenas olhando em retrospecto que ela conseguiu entender o papel daquele disco em sua libertação.


A mensagem é quase espiritual: às vezes, aquilo que parece estar dando errado pode estar removendo uma estrutura que já não servia mais.


Essa leitura combina com a nova fase de Kesha como artista independente. Depois de anos tendo sua carreira atravessada por contratos, disputas e expectativas externas, ela parece mais interessada em criar a partir de autonomia do que em perseguir validação comercial a qualquer custo. “Gag Order”, ou “Eat the Acid”, pode não ter sido seu álbum mais popular, mas talvez tenha sido um dos mais decisivos. Não pela posição nas paradas, e sim pelo que abriu caminho depois.


Foto/Divulgação
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No fim, a história de “Gag Order” ganha uma ironia poderosa. Um álbum nascido de silêncio, pressão e vulnerabilidade acabou sendo justamente o trabalho que ajudou Kesha a chegar mais perto da liberdade. Para uma artista que passou boa parte da carreira tentando recuperar o controle da própria narrativa, esse talvez seja o maior sucesso possível.

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