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Anitta detalha mudança radical na carreira após ficar doente: “Me transformei por dentro”

  • Foto do escritor: Cauã Rodrigues
    Cauã Rodrigues
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

Anitta abriu o coração sobre a mudança profunda que viveu nos últimos anos e explicou como esse processo impactou diretamente sua música, sua saúde e sua forma de enxergar a própria carreira. Em entrevista ao “Fantástico”, a cantora falou sobre o lançamento de “EQUILIBRIVM II” e revelou que decidiu desacelerar depois de enfrentar um período de desgaste intenso. Segundo ela, a rotina excessiva de trabalho chegou a afetar seu bem-estar, fazendo com que repensasse a forma como conduzia sua vida profissional.


FOTO/REPRODUÇÃO
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Durante a conversa, Anitta contou que uma biografia de Carmen Miranda teve papel decisivo nessa virada. A cantora afirmou que recebeu o livro em um momento delicado, acompanhado de um conselho direto: mudar o final daquela história. A trajetória de Carmen, marcada por sucesso internacional, exploração da imagem brasileira no exterior e uma vida atravessada por excesso de trabalho, fez Anitta enxergar paralelos com sua própria carreira.


A artista já havia mencionado em outras entrevistas que se impressionou ao perceber como o ritmo intenso de trabalho contribuiu para o fim trágico da Pequena Notável.


Carmen Miranda como espelho e alerta

A relação de Anitta com Carmen Miranda não aparece apenas como inspiração estética. Em “EQUILIBRIVM II”, a referência ganha um sentido mais profundo: é sobre olhar para uma artista brasileira que conquistou o mundo, mas também entender os riscos de uma carreira construída sob pressão constante. Para Anitta, a frase “mude o final desta história” funcionou quase como um chamado para interromper um ciclo antes que ele a consumisse.


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Depois da leitura, Anitta contou que passou por um retiro, começou a se cuidar e se reconectou com uma rotina mais voltada à saúde, à família e à espiritualidade. A cantora disse que não se considera “outra pessoa”, mas que passou a se perceber de outra maneira. Essa mudança aparece como eixo central de “EQUILIBRIVM II”, projeto que retoma temas como amor, espiritualidade e ancestralidade, dando continuidade ao álbum lançado em abril de 2026.


“EQUILIBRIVM II” mostra uma Anitta menos obcecada por validação

Na entrevista, Anitta também refletiu sobre a forma como antes enxergava sucesso. A cantora afirmou que, no início da carreira, aceitava a lógica do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”, porque associava presença constante nas notícias a reconhecimento. Agora, segundo ela, essa necessidade diminuiu. A artista diz querer que sua música seja ouvida, mas sem depender da exposição permanente como medida de importância.


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Essa mudança de postura ajuda a entender por que “EQUILIBRIVM II” soa tão diferente de outros momentos da carreira da cantora. O projeto não tenta apenas mirar o mercado internacional ou repetir fórmulas de alcance global. Em vez disso, Anitta mergulha em referências brasileiras, religiosas, afetivas e ancestrais, reunindo nomes como Maria Bethânia, Alceu Valença, Mart’nália, MC Tha, Alexandre Carlo, Mestrinho, Grupo Ofá, Katú Mirim, Brô MC’s e outros artistas.


Espiritualidade, religião e medo do preconceito

Outro ponto importante da entrevista foi a relação de Anitta com sua fé. A cantora revelou que, por muito tempo, teve medo de expor publicamente sua religião por receio da intolerância religiosa. Ela relembrou que chegou a ouvir alertas de que não deveria assumir sua ligação com o candomblé, porque isso poderia fazer com que perdesse oportunidades e público.


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Hoje, Anitta parece tratar essa exposição de outra forma. A artista defende que as pessoas se sintam livres para mostrar sua fé e afirma enxergar Deus como amor, sem limitar sua espiritualidade a uma única linguagem. Essa abertura já vinha aparecendo em sua trajetória recente. Em 2024, ao lançar o clipe de “Aceita” com imagens ligadas ao candomblé, Anitta enfrentou ataques e falou publicamente sobre racismo religioso, defendendo respeito às religiões de matriz africana.


Um álbum sobre raiz, brasilidade e pertencimento

“EQUILIBRIVM II” aprofunda a busca de Anitta por suas raízes brasileiras. O disco mistura pop, ritmos regionais, referências espirituais, elementos afro-brasileiros e releituras de símbolos da cultura nacional. A obra também chegou acompanhada de um curta-metragem musical, transformando as faixas em uma experiência visual com mais de 30 minutos.


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Mais do que uma nova era estética, o projeto funciona como uma tentativa de reposicionar a própria narrativa de Anitta. Depois de levar o funk brasileiro para mercados internacionais e disputar espaços historicamente fechados para artistas brasileiros, ela parece interessada em voltar ao tronco da própria cultura. O álbum fala de ancestralidade, fé, comunidade, corpo, memória e liberdade, sem tentar separar essas dimensões em caixas diferentes.


Essa escolha também faz com que “EQUILIBRIVM II” dialogue com trabalhos anteriores da música brasileira que trataram religiosidade e cultura popular como matéria artística, como o projeto “Tecnomacumba”, de Rita Benneditto. No caso de Anitta, a ousadia está em levar esse debate para dentro de uma estrutura pop global, assumindo que brasilidade não é apenas estética para exportação, mas também história, resistência, espiritualidade e pertencimento.


A nova Anitta não quer apagar a antiga

Mesmo com tantas mudanças, Anitta deixa claro que não está tentando negar quem foi. A nova fase não apaga a artista que construiu uma carreira internacional, provocou debates, cantou sobre desejo, explorou o funk e ocupou espaços improváveis. O que muda é a forma como ela organiza tudo isso. “EQUILIBRIVM” parece nascer justamente dessa tentativa de conciliar camadas que antes pareciam separadas: sensualidade e espiritualidade, mercado e propósito, festa e silêncio, ambição e autocuidado.


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No fim, a mudança radical de Anitta não parece ser uma pausa da artista pop, mas uma reorganização interna de quem ela quer ser daqui para frente. Ao se inspirar em Carmen Miranda, assumir sua fé com mais liberdade e colocar a ancestralidade no centro da obra, Anitta transforma “EQUILIBRIVM II” em um manifesto pessoal. É como se a cantora dissesse que, depois de correr para conquistar o mundo, agora quer caminhar com mais consciência sobre de onde veio — e sobre o caminho que ainda quer abrir.

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